Complicam-se os passos sóbrios a dar. Há que meditar muito bem neles e atapetar a visão orgânica dos vários paralelipípedos que suportam o seu peso.
Já não nos podemos dar, dar a luxos, dar desperdiçar, dar em vão, vazar vogais, vogar pelo Vouga fora como se esbanjassemos tempo e tudo.
"Dentro de dias" passou a significar demasiado.
Complicam-se os passos sábios a dar. Dizem-se palavras tantas e tontas, tantas delas, que acabamos simplesmente por ficar a ver as palavras que passam por entre
os dedos, escapatórias inexoráveis do invisível.
Um emaranhado de nadas com sentido quase macabro, a evitar. Confusos com a rapidez do mundo, aproveitamos para abominar a eficiência rápida e letal para a qual se vive, existir é o cálculo renal do tédio. Mas nem sempre estamos disso conscientes. Nem sempre é certo que se odeiem coisas específicas: é mais justo odiarem-se generalidades.
Podemos odiar odiar e sermos felizes à Segunda-Feira.
Eu odeio odiar e desse sentimento retiro os restos da sua força. Eu odeio odiar inclusivamente quem me disse (nos disse) que isto de viver era simples. Mas odeio muito mais dar razão a isso: tudo é simples quando temos a paz de nos sentirmos simples. Por vezes, porém, podemos precisar de pinceladas pungentes de espírito de contradição, da aceitação da palavra não como parte constituinte do nosso léxico, um laxante para a ira ou simplesmente uma rotunda incontornável de obviedades.
"Dentro de dias" passa a anos e anos quando não se sabe recorrer à palavra "não" na altura certa. Pode ser, claro, que "dentro de dias" se desenvolva em escassas horas numa questão de minutos. Isto, claro, quando só se sabe dizer "sim". Porque sim.
Enquanto o tempo passa, que tal pedirmos mais um cafezinho? Olha, e porque não?
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