Pûs-me no autocarro rumo a um novo ano, desconhecido como o são todos. Este ano começará de forma peculiar, penso, com esperanças positivas e surrealismos concretos.
Desejo apenas uma coisa para o ano que entra: um beijo. De forma cinematográfica, erótica ou simplesmente na face. Não quero nada mais que seja independente da vontade minha. Com toda a importância do mundo, comparável ao ombro oferecido à tristeza de alguém.
Ao pensar em todo o caminho percorrido, ao acumular de quilómetros até dado destino, ao pensar em todas as palavras ditas, todos os jogos perdidos e ganhos, todo o caminho percorrido passa a ser, cada vez mais, proporcional aquele que falta ainda percorrer. Ao pensar em tudo isto conclui que tudo se resume ao nada de um beijo, de uma insignificância que enche a alma, como a tristeza, a euforia, o banal, a histeria de uma vitória. Se dissesse, um dia, que tudo isto realmente importa, fá-lo-ia ao final de um dia preenchido, ao deitar.
O banal e a histeria, a gargalhada oca e o silêncio significativo, longe do constrangimento. O teste trivial e o teatro visceral. O jogo, todo ele de palavras. O comando e o obedecer. O anarquismo da ordem e a proeza de não se atingir nada, um novo ano cheio de nada.
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